O cinema e o Cinema

pictureNa última sexta-feira (24 de julho) me chamou a atenção a matéria de capa da Ilustrada sobre a crise do cinema independente, crise que ocorre não apenas nos Estados Unidos, mas também na Europa e Brasil. É triste pensar que mais de 90% dos filmes apresentados no Festival Sundance desse ano nunca sairão nos cinemas, por falta de distribuição e que possivelmente teremos, seja no cinema americano, seja no europeu, ou brasileiro “menos risco, mais previsibilidade, menos diversidade.”
A matéria apresenta um possível futuro para o cinema onde não haveria lugar para “novos” Godard, Wim Wenders, Truffaut e assim por diante. Como é possível que alguns dos maiores nomes do cinema perderam espaço para blokbusters produzidos dentro dos mesmo moldes para um público infantil ou infantilizado, que tem pouca relação ao cinema como arte. (Sim, esses filmes devem continuar com seu espaço mas não tomar um espaço que não lhes pertence).
Uma época de uma crise como essa traz a memória um documentário que passou na Mostra de Cinema passada, “Tiros Contra – A Rebelião dos Cineastas” sobre a Filmeverlag der Autoren. Diante de dificuldades um grupo de jovens diretores autores se uniram para financiar e distribuir seus filmes. Pertenciam ao grupo Wim Wenders, Werner Herzog, Rainer Werner Fassbinder, Hark Bohm. A Filmverlag teve grandes feitos, viabilizou grandes filmes e deu notoriedade a muitos desses diretores, mas não acabou tão bem.
Por mais que o final não tenha sido perfeito a Filmverlag der Autoren é uma boa inspiração para o cinema indenpendente em crise, a globalização pode colaborar em alianças internacionais semelhantes a esta feita pelos jovens alemães no passado. É preciso, talvez, sacrificar uma parte de ego para que ela funcione e estabelecer um diálogo entre jovens que são novos no mercado e os que já são mais experientes.
Esse post não é apenas um alerta aos que acreditam, gostam ou/e fazem parte do cinema independente, mas um convite a pensar em maneiras de reverter esse quadro, por isso o finalizamos com uma fala de um documentário de Wim Wenders, “Identidade de Nós Mesmos”, sobre o que é ser um autor para o estilista Yohji Yamamoto: “Isso, para mim, é um autor: alguém que, para começar, tem algo a dizer que sabe se expressar com sua própria voz e que finalmente encontra em si a força e a insolência necessária para se tornar o guardião de sua prisão, e não continuar prisioneiro.”

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post escrito por @nitagi

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